Se você pensou que a guerra das inteligências artificiais era só ver quem responde mais rápido ou faz meme com menos erro de concordância, prepara o seu óculos futurista e senta porque Mark Zuckerberg resolveu turbinar a briga: agora o papo em Menlo Park é “superinteligência pessoal”. Nada de ser só um super assistente do trabalho, hein? O CEO da Meta (aquele mesmo do feed infinito) planeja transformar a IA em algo ainda mais, digamos, “zim-zim-zuckerberg”: a próxima etapa será usar essas maravilhas para preencher cada minuto do seu tempo livre — com mais vídeos, memes, reels e quem sabe até uma ajudinha para se tornar quem você sempre sonhou… pelo menos até a próxima atualização do algoritmo.
O plano de “superinteligência pessoal” anunciado por Zuckerberg não é só mais um papo de keynote para animar investidor. Segundo o próprio, a Meta está apostando alto: são bilhões já gastos para recrutar os maiores gênios da IA (com salários dignos de vilão de filme Marvel) e um novo laboratório dedicado exclusivamente a criar modelos que não apenas aprendem sozinhos, mas também entendem você melhor do que seu cachorro e sugerem exatamente aquele conteúdo que faz sua dopamina saltar. Tudo isso, sem esquecer do maior trunfo da Meta: manter a sua atenção presa nos apps do grupo e monetizar cada segundo que você passa navegando.
Ao contrário da turma do ChatGPT e companhia, que tornam a IA sua super-secretária (aquela que faz o Excel sozinho enquanto você decide qual série vai assistir), Zuckerberg quer que a IA seja o seu “treinador de vida/entretenimento/amizades/artificial”. Ou seja, na visão da Meta, a IA do futuro não te libera do trabalho para relaxar — ela transforma seu relaxamento em mais motivos para abrir o Instagram, experimentar uma nova interação com personagens digitais, criar conteúdo ou simplesmente conversar com um bot tão carismático quanto o seu grupo da faculdade (ou até mais). Não é à toa que os planos incluem desde algoritmos para publicidade personalizada até o desenvolvimento de smartglasses que prometem substituir computador, celular e talvez até aquela sobrancelha arqueada quando aparece um anúncio estranho.
Mas ó, se a promessa é autonomia e empoderamento, tem quem duvide. Críticos apontam que, na prática, dar um “superpoder” digital para todo mundo pode resultar em quem tem mais controle (leia-se: os donos da tecnologia) usar esse poder para automatizar ainda mais trabalhos — e, adivinha, ocupar o seu tempo livre com um loop infinito de conteúdo personalizado. Zuckerberg saiu na frente ao dizer que a superinteligência não será apenas para automação produtiva, mas para ampliar o que cada pessoa valoriza. Só que, no fim do dia, a divisão entre “liberdade” e “coleira digital” pode ser tão sutil quanto a diferença entre um meme genial e um cringe daqueles.
Enquanto isso, a estratégia da Meta é investir pesado para não ficar atrás dos maiores concorrentes. O laboratório de superinteligência não para de contratar experts de empresas como OpenAI, Google e Anthropic. Puxando a fila, Alexandr Wang (Scale AI) e nomes de peso recrutados com pacotes de benefícios que fariam até CEO de startup considerar mudar de país. Só em infraestrutura, o investimento este ano já chega a US$69 bilhões, mostrando que Zuckerberg está disposto a apostar alto para que a Meta seja lembrada não só como dona do feed, mas como criadora da IA que faz você grudar ainda mais na tela.
No fim das contas, a diferença entre ter uma IA que libera seu tempo ou uma “superinteligência” que transforma cada segundo em estímulo é pequena — e a batalha está só começando. Zuckerberg acredita numa era em que criatividade, conexões sociais e autoconhecimento serão guiados por IA, enquanto investidores só querem saber se o tempo, o engajamento e o lucro também vão superinteligentes. O futuro? Provavelmente, vai ter menos horas de tédio. Só falta saber se será por escolha ou porque seu feed nunca mais vai ter fim.