Se você é fã de monstros horrendos, enigmas que dão nó no cérebro e aquele friozinho na espinha que só videogame de terror sabe provocar, prepara o coração (e verifica as luzes da casa). O universo dos games de horror está pronto para ganhar uma mexida sinistra com Clive Barker’s Hellraiser: Revival e uma abordagem fresquinha para o eterno Friday the 13th. E quem achava que as adaptações de franquias horripilantes estavam caindo na mesmice, segura esse L: as duas podem ser o início de uma nova era para licenciamentos assustadores, do jeito que o fã gosta — e com direito a cada susto vindo de onde menos se espera.
A vibe de Hellraiser: Revival já chega fazendo sangue de gamer borbulhar: nunca tivemos um jogo solo de Hellraiser antes, e isso abre espaço pra uma chuva de ideias bizarras do universo de Clive Barker. Imagina mergulhar de cabeça num survival horror em primeira pessoa, estilo Resident Evil moderno, mas trocando os zumbis pelo Pinhead e sua gangue de Cenobitas, cada um mais esquisito que o outro. Vai ser tipo Dungeons & Dragons… só que se todo mundo na mesa fosse masoquista. O mais legal é que muita gente só foi apresentada a Hellraiser graças ao capítulo temático em Dead by Daylight. E ironia das ironias: enquanto o Pinhead sumiu desse jogo agora que o contrato acabou, Hellraiser: Revival promete alimentar ainda mais o hype e jogar mais gasolina na fogueira do terror psicológico. Prepare-se para combates inusitados, puzzles macabros com a Configuração do Gênesis e aquela sensação constante de “será que sobrevivo ao próximo cômodo?”
O cenário em que Hellraiser pode brilhar também está prestes a mudar o destino de outras franquias icônicas. Quer um exemplo? Friday the 13th — a lenda de Jason Voorhees está ganhando nova chance de-stab… quer dizer, de brilhar. Depois de ter feito relativo sucesso no mundo dos games com o seu modo multiplayer assimétrico (já pensou em ser perseguido pelo Jason online?), agora especula-se que o novo jogo da franquia vai tentar morder um pedaço da torta do survival horror solo. E francamente, a estratégia faz sentido, já que a moda é colocar o jogador pra sofrer em ambientes escuros com ameaças que parecem sussurrar: “vem cá me dar um abraço… com facão”.
Só que transformar Friday the 13th em um survival horror single player dá trabalho. Ao contrário de outros jogos do gênero, aqui o perigo é basicamente um cara só – o Jason. Se te derem o papel do conselheiro do acampamento, passar horas fugindo do maníaco pode ficar repetitivo; exceto, claro, se a atmosfera de Crystal Lake for tão densa quanto ketchup vencido no refeitório do acampamento. A chave seria trazer NPCs, histórias paralelas e um clima de “ninguém vai sobreviver para contar” que segure a tensão até o fim. Se, no entanto, rolar uma inversão de papéis (bota o jogador no controle do Jason, caçando adolescentes ouvindo playlist de terror), aí sim o terror fica completo — ainda mais se a Pamela Voorhees for a sua Alexa macabra, te incentivando pelo mapa com aquela voz de mãe orgulhosa… que pena que o orgulho dela é criminalmente duvidoso.
Mas não pense que vai ser moleza. Se os conselheiros virtuais quiserem ter alguma chance, o jogo precisa permitir que eles lutem de maneira minimamente eficiente para tornar o combate interessante e dinâmico. Afinal, ficaria chato só tomar susto e morrer — tem que ter aquele gostinho de esperança e desespero na mesma dose. Se o novo Friday the 13th optar por seguir sendo uma continuação espiritual do multiplayer ou mergulhar de vez no single player ao estilo Hellraiser: Revival, a mudança promete abalar as estruturas do gênero de terror nos games. O caminho está aberto para outras franquias clássicas experimentarem o mesmo e, sinceramente, esse tipo de inovação é o que mantém nossos consoles acesos (e nossos gatos escondidos debaixo do sofá).
No final das contas, a pergunta que fica para a indústria é: será que estamos prestes a testemunhar a renascença dos jogos de terror com personalidade — não só aqueles que copiam fórmulas gastas, mas que reimaginam franquias clássicas e entregam sustos fresquinhos com mecânicas inteligentes? Se Clive Barker’s Hellraiser: Revival e o próximo Friday the 13th fizerem bonito, pode apostar que outras relíquias dos anos 80 e 90 vão sair do porão do terror para tentar a sorte na nova onda survival horror — e que venham mais sustos, mais puzzles e, se possível, menos jumpscares com alarme de micro-ondas.