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Controle comemorativo da Rare vira polêmica em meio a cortes e incertezas

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Preparem-se, nostálgicos de plantão e colecionadores de controle: a Rare — aquela lenda britânica por trás de Donkey Kong Country, GoldenEye 007 e Banjo-Kazooie — completa 40 anos com direito a bolo, velinhas e… polêmica digna de Twitter. Porque, claro, não poderia comemorar aniversário sem transformar alegria em trending topic tóxico! A empresa resolveu lançar, junto com a 8BitDo, um controle sem fio de edição limitadíssima, estampado com ícones dos seus maiores jogos. Só que, enquanto os fãs lotam o carrinho online, tem desenvolvedor demitido querendo comprar uniforme de outro estúdio no LinkedIn. Nem todos dançam no parabéns dessa festa.

Agora, senta que lá vem tragédia: Microsoft e Xbox vêm passando a foice desde 2023, com cortes que fariam até o Jason da sexta-feira tremer de inveja. Só de janeiro até julho de 2025, já mandaram para casa mais de 17 mil funcionários — 10.000 em 2023, 2.550 em 2024, 6.000 em maio, 300 em junho e mais 9.000 no auge do inverno. O problema? Enquanto a galera do RH faz hora extra processando desligamento, Phil Spencer, chefão da Microsoft Gaming, afirma que está tudo ótimo, com mais jogadores e mais horas gastas do que nunca. Só esqueceu de avisar as equipes da Turn 10 (Forza Motorsport) e da King (Candy Crush Saga), que também perderam galera no processo, e que jogo cancelado virou torneira vazando no corredor dos sonhos dos devs.

Falando em sonhos que evaporaram: lembra do hype de Everwild? É, também virou fumaça. Rare anunciou o projeto em 2019 com aquele trailer mágico e desde então era só mistério (e muita gente apostando que seria o novo Viva Piñata). Começaram a desenvolver em 2014, rebootaram tudo em 2021, e mesmo com Phil Spencer testando uma build promissora em 2024, o martelo das prioridades pesou na mão do Matt Booty, chefe dos estúdios. Não só Everwild foi pro limbo, mas também o reboot de Perfect Dark, que era a esperança dos órfãos de N64. A decisão? Focar nos projetos “que realmente vão dar lucro” e reconfigurar recursos dentro da indústria que parece mais um episódio de Black Mirror sem final feliz.

E, se você achava que era só o fim das ideias, saiba que a Rare também perdeu um de seus pilares: Gregg Mayles, designer lendário desde 1989, criador de clássicos como Battletoads, DK Country, Banjo-Kazooie e Sea of Thieves, foi-se embora junto com o último lote de sonhos cancelados. Ele liderava Everwild desde 2021 e deixa para trás não apenas uma lacuna criativa, mas também uma homenagem nessa controladora comemorativa que carrega os traços dos jogos que ele ajudou a imortalizar.

Aí você me pergunta: vale a pena comprar um controle cheio de estilo comemorando uma Rare que só parece respirar por aparelhos? Meu caro gamer, é a pergunta de um milhão de achievements. O controle pode até ser item de desejo de colecionador, mas também é símbolo de um estúdio que já foi vanguarda, agora encurralado entre demissões, jogos engavetados e um futuro tão obscuro quanto fase bônus secreta sem walkthrough. Para adoçar um pouco esse aniversário azedo, pelo menos rolou uma placa comemorativa em Ashby-de-la-Zouch — lá mesmo, no berço da Rare — eternizando pra sempre a memória de quem já fez a infância da galera muito mais feliz e colorida, mesmo que hoje vista preto em sinal de luto.

O saldo é esse: a Rare faz aniversário, mas muita gente troca o bolo por currículo novo. O controle limitado tem cheiro de lenda, mas também um gostinho de despedida. Que venham dias melhores — de preferência, sem cortes e com uns cinco lançamentos lendários dignos do que a Rare já entregou de melhor: jogos inesquecíveis (e menos controllers de colecionador que valem mais que um rim no mercado cinza).

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